Padre Geraldo Martins, ex pároco da Paroquia N.S. da Glória, escreve seu primeiro artigo sobre a missão em Humaitá

"Acabo de chegar à cidade de Humaitá, localizada no sul do estado do Amazonas, para auxiliar a diocese de Humaitá por um período de quatro meses. "

10/07/2019 às 16h32

Fraternalmente acolhido pelo bispo diocesano, dom Francisco Merkel, e pelas lideranças da paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, a que servirei nesse tempo, já me sinto em casa. Claro, como bom mineiro, busco observar os costumes, indagar sobre a cultura local e inteirar-me do jeito amazônico de ser Igreja. Tudo é gratamente surpreendente!

Criada prelazia em 1961 com apenas dois municípios - Humaitá e Manicoré - Humaitá foi elevada a diocese em 1979. Mais tarde, o município de Apuí se integra à diocese, que passa a ter a extensa área de 135 mil km² e uma população de aproximadamente 140 mil pessoas. Essa área é seis vezes o tamanho da Arquidiocese de Mariana e tem o rio Madeira como principal meio de acesso da sede diocesana a Manicoré e às comunidades ribeirinhas. 

Sob o pastoreio de seu quarto bispo, dom Francisco Merkel, que tomou posse no ano de 2000, a diocese de Humaitá é uma Igreja viva, alegre, animada, organizada, com forte presença e atuação dos cristãos leigos e leigas. Das oito paróquias que a compõem, três estão na cidade sede: São Francisco de Assis, sob os cuidados dos Frades Capuchinhos; São Domingos Sávio, com os padres verbitas, e Nossa Senhora Imaculada Conceição (catedral), sem pároco desde janeiro deste ano, sendo administrada pelo próprio bispo. É nesta paróquia que atuarei até o próximo  mês de novembro.

Os primeiros contatos e reuniões revelam que a diocese de Humaitá tem como marca a solidez da fé, plantada nestas terras nos séculos passados e muito bem alimentada e conservada pelos missionários que se sucederam ao longo dos anos. Aqui se tem uma Igreja comprometida com a comunhão e a participação através de comunidades bem estruturadas cuja força se faz notar no protagonismo dos leigos. Uma Igreja ministerial, constituída de comunidades vivas, que celebram com alegria e animação sua fé, vencendo, não sem sacrifícios, dificuldades como a escassez de presbíteros, as longas distâncias e os difíceis meios de acesso.

Uma bela cidade

Com cerca de 45 mil habitantes, segundo dom Francisco, a cidade de Humaitá nasce à margem esquerda do rio Madeira, principal afluente do rio Amazonas e importante hidrovia do estado do Amazonas, ligando Porto Velho à capital amazonense. A diocese de Humaitá possui uma área missionária denominada Beiradão, composta das comunidades ribeirinhas que se localizam, em sua maioria, às margens do Madeira.

Na cidade, chama atenção a orla, lugar de rara beleza, aprazível para descanso dos humaitaenses que aí se vão todos os dias, ao cair da tarde, para tomar sorvete, fazer seu lanche, brincar com as crianças, bater um papo descontraído, refrescar-se do calor, namorar... Da orla também se contempla o ir e vir dos barcos, algumas balsas de garimpeiros, luzes de pequenas casas, na outra margem do rio, abraçadas pela floresta, além do porto de embarque e desembarque de pessoas e mercadorias, movimentando a cidade.

Da catedral, de estilo simples e nobre, construída junto à orla, a padroeira Nossa Senhora da Imaculada Conceição fica a velar por seus filhos e filhas que navegam pelo Madeira em pequenas embarcações ou nos barcos maiores chamados “Recreios”, apinhados de gente que armam suas redes como podem para enfrentar as inúmeras horas de viagem. Quando as cheias trazem preocupação e incômodo às famílias humaitaenses, é à Virgem Imaculada que todos recorrem, pedido proteção e segurança. Não à toa, os festejos a ela dedicados em 8 de dezembro constituem a maior festa do município.

O charme das silenciosas bicicletas elétricas, em grande número pelas ruas, guiadas por gente de todas as idades, passa quase imperceptível diante do ronco dos motores dos carros e motocicletas que circulam pelas ruas da cidade. O comércio é forte e muitas lojas e estabelecimentos abrem suas portas também aos domingos. Os campi da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), juntamente com o 54° Batalhão de Infantaria de Selva (54ºBIS) do Exército Brasileiro, revelam a importância de Humaitá para o estado amazonense, além de oferecer oportunidade, especialmente à juventude, de poder sonhar com um futuro melhor.

Durante quatro meses, por graça especial de Deus, terei a oportunidade de conhecer a cidade e a diocese de Humaitá, seu povo, seus costumes, sua cultura, sua religiosidade, mas também suas lutas, seus dramas e a vida sofrida daqueles que o sistema exclui e descarta. Inspiram-me o exemplo de Maria e o testemunho de inúmeros missionários que deram sua vida pela vida da Amazônia e de seus povos.

Artigo retirado do Blog Emdias de Padre Geraldo Martins - http://toemdias.blogspot.com/2019/07/missao-em-humaita.html

 

 

 


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